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Relação da prática do jejum intermitente e longevidade: ela realmente existe?

Já provou jejum? Como a prática de não se alimentar pode afetar a sua longevidade.

Fernanda Uliana Nutricionista – CRN3: 29092

Relação da prática do jejum intermitente e longevidade: ela realmente existe?

 

Trabalhos científicos recentes mostram que o período de jejum pode ser um momento de reparo e renovação dos componentes do corpo, pois a teoria da fisiologia do jejum afirma que certos processos bioquímicos são ativados quando estamos em jejum, e não durante o período de alimentação. Esse período poderia fazer uma restauração metabólica, reorganizando o funcionamento corporal, podendo contribuir até para melhor controle do peso. As mudanças metabólicas começam a ser observadas a partir de 12 horas de jejum. 

 

Existem várias maneiras de realizar o jejum intermitente, desde 12 horas seguidas a vários dias, todos de forma recorrente: jejum em dias alternados, onde os indivíduos alternam entre não consumir nada de calorias por um dia e comer sem restrição calórica no outro, ou jejum modificado em dias alternados, com dias de poucas calorias (<25% das necessidades energéticas) alternados com dias sem restrição calórica, ou  jejum periódico, com restrição calórica apenas 1 ou 2 dias por semana e sem restrição calórica nos outros 5 a 6 dias da semana. 

 

De uma maneira geral, os estudos científicos encontram bons resultados da prática do jejum intermitente para a perda de peso, melhora de doenças inflamatórias como as doenças cardiovasculares, e parece ser uma prática promissora para melhorar o controle glicêmico, podendo, assim, também contribuir para o controle do diabetes em alguns casos. Os mecanismos de melhora no metabolismo da glicose não são totalmente elucidados, e efeitos controversos podem ocorrer, como a hipoglicemia. Sendo assim, é necessário sempre a indicação e acompanhamento médico e nutricional. 

 

Estudos experimentais encontraram que o jejum intermitente também pode melhorar a modulação de neurotransmissores (com consequentemente melhora do humor e cognição), crescimento e plasticidade neuronal, aumentando a resistência neuronal a lesões e doenças. Apesar de mais estudos com humanos e a longo prazo serem necessários para avaliar possíveis riscos, a prática do jejum vem crescendo, com relatos de maior disposição física e mental.

 

Na prática do jejum é comum associar a restrição de calorias diárias, também com a finalidade de promover saúde, melhor controle do peso, humor, menor estresse oxidativo, podendo contribuir, assim, para a longevidade. Contudo, um estudo de revisão científica concluiu que não há evidências suficientemente fortes para que a população em geral faça restrição calórica com o objetivo de promover longevidade. 

 

As evidências científicas acerca dos possíveis benefícios associados ao jejum são limitadas, e a sua prática não supera outros tipos de dietas. Mais estudos, principalmente estudos clínicos de longo prazo, são necessários para embasar consistentemente a sua indicação. Nunca faça jejum ou qualquer outra estratégia alimentar sem a indicação e acompanhamento nutricional e médico. Existem várias estratégias que podem ser muito úteis para alguns casos, mas se feito de maneira incorreta, pode trazer riscos à saúde. 

 

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Referências:

 


1- Justyna Godos et al. Diet and Mental Health: Review of the Recent Updates on Molecular Mechanisms. Antioxidants, 2020; 9(4):346. 


 


2- Silvia Caristia et al. Is Caloric Restriction Associated with Better Healthy Aging Outcomes? A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Nutrients, 2020; 12, 2290. 


 


3- Stephanie Welton et al. Intermittent fasting and weight loss. Can Fam Physician, 2020; 66(2):117-125. 


 


4- Yongin Cho et al. The Effectiveness of Intermittent Fasting to Reduce Body Mass Index and Glucose Metabolism: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med, 2019; 8(10):1645. 


 


5- Stephen D. Anton et al. Flipping the Metabolic Switch: Understanding and Applying Health Benefits of Fasting. Obesity (Silver Spring), 2018; 26(2):254–268.